Santander é denunciado por terceirização fraudulenta em audiência pública na Câmara dos Deputados
- Redação

- 4 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Brasília (DF) – 3 de julho de 2025 – A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados realizou nesta quinta-feira uma audiência pública de forte impacto para a categoria bancária e para a sociedade. O tema: as práticas de terceirização fraudulenta, fechamento de agências, demissões em massa e ataques a direitos de trabalhadores — ativos e aposentados — praticados pelo Banco Santander. A atividade foi requerida pela deputada Érika Kokay (PT-DF) e reuniu lideranças sindicais de todo o país, além de representantes do Ministério Público do Trabalho e de entidades internacionais.

Entre os principais momentos da audiência, destacou-se a contundente fala de Vera Marchioni, dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e militante da Intersindical. Vera denunciou a postura do Santander, que tem colocado seus lucros acima da responsabilidade social e dos compromissos assumidos com a sociedade brasileira:
“O banco tem fechado agências — foram 300 apenas no último ano —, demitido trabalhadores e atacado o direito dos aposentados. É inaceitável que o Santander continue lucrando bilhões enquanto precariza o atendimento aos clientes e retira direitos de quem construiu sua história no país”, afirmou Vera.
Ela também ressaltou o caráter excludente da digitalização imposta pelo banco, que afasta parte da população do acesso ao sistema bancário:
“Percorremos agências e a reclamação dos clientes é enorme. Muitos não têm acesso à internet ou a dispositivos que permitam o uso de serviços digitais. E o banco fecha justamente as agências que eram a única opção em muitas cidades”.
Além disso, Vera criticou o envio sistemático de lucros para a matriz na Espanha e o uso de terceirizações para concentrar renda e sonegar direitos:
“O lucro vai para os acionistas — a maioria estrangeira — enquanto aqui no Brasil ficam a precarização, os baixos salários e a exclusão. Isso é concentração de renda e um ataque aos trabalhadores e à sociedade”.
Uma estrutura pensada para burlar direitos
Durante a audiência, diversas lideranças apresentaram dados que evidenciam a fragmentação da estrutura do Santander por meio da criação de mais de 30 empresas com CNPJs próprios. Essas empresas contratam trabalhadores para exercerem atividades típicas de bancários, porém com salários inferiores, sem a convenção coletiva da categoria e sem representação sindical legítima.
Juvândia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, apontou que a prática gera lucros bilionários ao banco às custas da retirada de direitos e da sonegação de tributos:
“Enquanto reduz direitos dos trabalhadores, o Santander lucra ainda mais com isenções fiscais. Só três empresas do grupo deixaram de pagar mais de R$ 100 milhões em impostos entre janeiro e agosto de 2024. Isso é um crime contra o povo brasileiro.”
União e denúncia internacional
A audiência também contou com a participação da UNI Américas, entidade internacional que representa os trabalhadores do setor financeiro. Segundo Márcio Monzane, secretário regional da UNI, a prática do Santander não se limita ao Brasil. Casos semelhantes foram registrados na Argentina, Uruguai, Peru e Chile, com denúncias formais em instâncias internacionais como a OIT e a OCDE.
Luta seguirá nas ruas e no parlamento
A deputada Érika Kokay, que presidiu a audiência, afirmou que seguirá mobilizada para garantir que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados e que o Santander seja responsabilizado. Para ela, “não é admissível que uma empresa estrangeira que opera por concessão pública atue no Brasil sem cumprir seus compromissos sociais”.
A audiência pública foi mais uma etapa da campanha nacional “Em Defesa do Emprego Bancário e Contra a Terceirização Fraudulenta no Santander”, que vem mobilizando sindicatos, federações e confederações de bancários em todo o país.
Assista a audiência na íntegra.

.png)



Comentários