Paralisação nacional pressiona bancos por proposta e mobiliza bancários em todo o país
- Redação

- há 3 horas
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Após oito rodadas de negociação sem proposta de reajuste, bancários cruzam os braços nesta quinta-feira (20). Mobilização já provocou recuo da Fenaban em propostas que dividiam a categoria

Bancários e bancárias de instituições públicas e privadas realizam nesta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, uma paralisação nacional para pressionar a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) por avanços na Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026.
Desde as primeiras horas da manhã, dirigentes sindicais e trabalhadores estão mobilizados em agências, prédios administrativos e concentrações bancárias. Em São Paulo, Osasco e região, o coletivo Bancários na Luta estiveram presentes em diversas unidades bancárias fazendo o trabalho de paralisação promovido pela Campanha Nacional.
A mobilização ocorre após oito rodadas de negociação sem que a Fenaban tenha apresentado uma proposta de índice para o reajuste de salários e demais verbas da categoria.
A paralisação, portanto, não surge de forma isolada. É resultado da insatisfação acumulada durante as negociações e da decisão dos trabalhadores e trabalhadoras de aumentar a pressão sobre os bancos.
Categoria rejeitou tentativa de dividir os bancários
Um dos principais pontos de tensão da campanha ocorreu na sétima rodada de negociação, em 13 de agosto.
Mesmo após a expectativa de apresentação de um índice de reajuste, a Fenaban colocou na mesa uma proposta de reajustes diferenciados por faixas salariais, além do congelamento do piso de ingresso dos novos bancários.
A proposta provocou forte reação da categoria porque colocava em risco um princípio histórico das campanhas nacionais: a negociação unificada e a aplicação dos direitos conquistados para o conjunto dos bancários.
Em assembleia realizada no dia 17, os trabalhadores de São Paulo, Osasco e região rejeitaram a proposta patronal por 97,66% dos votos. A paralisação de 20 de agosto foi aprovada por 89,34% dos participantes.
Nacionalmente, a rejeição à proposta chegou a 97%, enquanto cerca de 90% dos participantes das assembleias aprovaram a paralisação.
Mobilização já fez bancos recuarem
A pressão da categoria bancária produziu um primeiro resultado antes mesmo da paralisação desta quinta-feira.
Na oitava rodada de negociação, realizada em 18 de agosto, a Fenaban retirou da mesa a proposta de reajuste diferenciado por faixas salariais e também recuou do congelamento do piso de ingresso.
O recuo demonstra a importância da organização coletiva da categoria. Entretanto, o impasse permanece: os bancos chegaram ao dia da paralisação sem apresentar uma proposta de índice de reajuste para salários e demais verbas.
Por isso, a mobilização continua.
A categoria reivindica reposição integral da inflação e aumento real de 5%, além da valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), vale-alimentação, vale-refeição, pisos e demais direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho.
A pauta vai além da remuneração. Emprego, condições de trabalho, metas, saúde, avanço da terceirização, impactos das novas tecnologias e proteção dos direitos conquistados também estão no centro da Campanha Nacional de 2026.
Bancários na Luta acompanha mobilizações nos locais de trabalho
Ao longo desta quinta-feira, integrantes do Bancários na Luta realizaram atividades em diferentes locais de trabalho.
Na região da Avenida Paulista, Manoel Elidio Rosa e Jozivaldo da Costa Ximenes participaram das atividades no Bradesco com o fechamento da Agência Consolação e da Regional Paulista do Bradesco.

Em Osasco, Antônio Carlos Cordeiro e João Paulo da Silva acompanhanharam atividades na Caixa e no Bradesco da região da Antônio Agú.
Na Caixa Autonomista, a mobilização foi acompanhada por Givaldo Lucas. Já em Barueri, a atividade aconteceu com a paralização da agência da Caixa na Avenida Zélia.

Também houve mobilização no Itaú CTO, conduzida por Rógério Sampaio e no Banco do Brasil, na Agência Estilo Paulistana do Banco do Brasil por Edilson Montrose.









Organização começa dentro dos locais de trabalho
Nos materiais divulgados antes da paralisação, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região destacou que as unidades não seriam fechadas automaticamente e que o alcance da mobilização dependeria da participação da própria categoria.
Dirigentes foram distribuídos por diferentes locais para apoiar trabalhadores e trabalhadoras que decidiram aderir ao movimento.
Para quem atua em home office, a orientação sindical para participar da paralisação foi não acessar os sistemas do banco e não registrar o ponto.
A entidade também orientou os trabalhadores a denunciarem eventuais ameaças, intimidações, coações, retaliações ou obstáculos à atividade sindical.
Bancos lucram enquanto trabalhadores cobram valorização
A mobilização acontece em um cenário de elevada rentabilidade do sistema financeiro.
Somente Bradesco, Itaú e Santander registraram, juntos, R$ 45,4 bilhões de lucro líquido no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento divulgado durante a Campanha Nacional.
Ao mesmo tempo, os três bancos eliminaram 14.157 postos de trabalho em um ano e fecharam 837 agências.
Esse contraste ajuda a explicar a insatisfação da categoria: enquanto os resultados financeiros permanecem elevados, bancários enfrentam redução de postos de trabalho, fechamento de unidades, sobrecarga, pressão por metas e transformações tecnológicas que aumentam a produtividade.
Para os trabalhadores e trabalhadores do sistema financeiro, os ganhos produzidos pelo aumento da produtividade e pelas novas tecnologias precisam ser compartilhados com quem constrói diariamente os resultados do sistema financeiro.
Caixa: Saúde Caixa também está no centro das negociações
Nos bancos públicos, a campanha nacional se combina com reivindicações específicas.
Na Caixa Econômica Federal, a sétima rodada de negociação específica terminou na quarta-feira (19), véspera da paralisação, sem uma nova proposta para o Saúde Caixa, tema considerado prioritário pelos empregados.
A representação dos trabalhadores cobra uma solução que preserve a sustentabilidade do plano sem transferir para empregados, aposentados e pensionistas o peso crescente das despesas.
Também estão em discussão temas como condições de trabalho, metas, teletrabalho, direito à desconexão, remuneração variável, contratação de pessoal e direitos das pessoas com deficiência.
Santander: trabalhadores cobram valorização do PPRS
No Santander, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) também realizou negociação na véspera da paralisação.
Entre as reivindicações estão a valorização do Programa de Participação nos Resultados do Santander (PPRS), transparência nos programas de remuneração variável, regras para o banco de horas e avanços nas reivindicações específicas dos trabalhadores.
As negociações específicas reforçam que a Campanha Nacional não está restrita ao percentual de reajuste salarial. Está em disputa também qual modelo de relações de trabalho será construído diante das mudanças profundas pelas quais passa o sistema financeiro.
Paralisação reforça pressão sobre a Fenaban
A mobilização desta quinta-feira representa mais um capítulo da Campanha Nacional dos Bancários de 2026.
Depois de oito rodadas, os trabalhadores cobram uma resposta concreta dos bancos.
O recuo da Fenaban na proposta de reajustes diferenciados mostrou que a pressão coletiva pode produzir resultados. Agora, a categoria busca transformar essa mobilização em avanços no reajuste salarial, na PLR, nos benefícios, na preservação dos empregos e nas condições de trabalho.
Em uma atividade econômica que continua produzindo resultados bilionários, bancários e bancárias defendem que a riqueza gerada pelo seu trabalho também seja revertida em salários, direitos, emprego e melhores condições de trabalho.
A paralisação de 20 de agosto deixa um recado aos bancos: sem uma proposta que responda às reivindicações, a mobilização dos trabalhadores continuará sendo instrumento fundamental da campanha.

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