Fim da escala 6x1 ganha força em audiência pública na Alesp e reforça luta histórica da classe trabalhadora
- Redação

- há 11 horas
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A luta pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial ganhou mais um importante capítulo no último dia 30 de março de 2026, durante a audiência pública “6x1 Não! Uma nova jornada pela vida e trabalho”, realizada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

A atividade, de iniciativa do deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino (PT), reuniu lideranças sindicais, autoridades políticas e representantes de diversas categorias profissionais para debater os impactos sociais, econômicos e humanos da jornada de seis dias de trabalho para apenas um de descanso. No centro da discussão esteve o apoio à PEC 8/2025, que tramita no Congresso Nacional e propõe a redução da jornada de trabalho.
Entre os presentes estiveram o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho; o deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino; a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro; além de representantes do comércio, hotelaria, telemarketing, vigilância, jornalismo, saúde e centrais sindicais, como a CUT.
Escala 6x1 adoece e retira o direito à vida fora do trabalho
Um dos principais consensos da audiência foi que a escala 6x1 é desumana. As falas apontaram que jornadas extensas provocam adoecimento físico e mental, ampliam casos de burnout, ansiedade, fadiga, acidentes de trabalho e afastamentos.
Mais do que uma pauta econômica, a redução da jornada foi tratada como uma medida de proteção à vida. O debate reforçou que trabalhar menos, sem redução salarial, significa garantir condições mínimas de existência para além da exploração cotidiana: tempo para descansar, conviver com a família, estudar, cuidar da saúde e viver com dignidade.
Vera Marchioni destaca que redução da jornada é batalha histórica dos trabalhadores
Representando o Coletivo Bancários na Luta e a direção do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Vera Marchioni fez uma das intervenções de destaque da atividade ao afirmar que a luta pela redução da jornada de trabalho é uma batalha histórica da classe trabalhadora.
Em sua fala, Vera ressaltou o protagonismo de jovens trabalhadores, especialmente nas grandes cidades, e das mulheres, que tiveram papel central em recolocar o debate sobre o fim da escala 6x1 no centro da agenda política e social.
Ela também chamou atenção para o atual contexto de avanço tecnológico e crescimento econômico, alertando que as novas tecnologias, ao mesmo tempo em que ampliam a produtividade, também têm sido usadas para eliminar postos de trabalho e rebaixar salários. Para Vera, esse cenário exige organização e mobilização da classe trabalhadora para transformar o aumento da produtividade em mais direitos, e não em mais exploração.
Outro ponto forte de sua intervenção foi a defesa de que a redução da jornada deve ser entendida como um direito humano. Vera afirmou que o chamado direito ao ócio está diretamente relacionado ao direito ao lazer e ao direito de ter tempo para educar as crianças, e destacou que essas necessidades precisam ser colocadas em primeiro lugar.
Ao defender essa perspectiva, Vera reforçou que a discussão sobre a jornada de trabalho não interessa apenas aos locais de trabalho ou às entidades sindicais, mas diz respeito ao conjunto da sociedade. Para ela, assegurar tempo de vida para quem trabalha é uma responsabilidade coletiva.
Tecnologia, desigualdade e sobrecarga das mulheres
Outro ponto central do debate foi a constatação de que o avanço tecnológico não foi acompanhado por redução do tempo de trabalho. Ao contrário: mesmo com o aumento da produtividade, milhões de trabalhadores e trabalhadoras seguem submetidos a rotinas exaustivas.
A audiência também destacou que a escala 6x1 pesa de forma ainda mais cruel sobre os setores de menor renda e aprofunda a desigualdade de gênero. As mulheres, em especial, acumulam a jornada formal com o trabalho não remunerado de cuidados com a casa, com a família e com os filhos. Nesse sentido, combater a escala 6x1 também é enfrentar desigualdades estruturais.
Redução da jornada precisa virar lei
Durante a atividade, houve consenso de que o fim da escala 6x1 e a fixação da jornada de 40 horas semanais precisam estar garantidos em lei, e não depender apenas de negociação coletiva. A avaliação é que deixar esse tema exclusivamente nas mesas de negociação aprofunda desigualdades entre categorias e expõe trabalhadores com menor poder de organização à pressão patronal.
Também foram rebatidos os argumentos empresariais de que a redução da jornada inviabilizaria negócios. Ao contrário, foi lembrado que jornadas menores ajudam a reduzir absenteísmo e rotatividade, além de contribuírem para elevar a produtividade e diminuir custos com demissões e treinamentos.
Mobilização nas ruas será decisiva
Ao final da audiência, ficou definido que será elaborado um documento oficial a ser enviado ao Congresso Nacional, afirmando que os trabalhadores e trabalhadoras paulistas exigem a redução da jornada e o fim da escala 6x1.
Mas o recado da atividade foi claro: o debate institucional, sozinho, não será suficiente. Para derrotar a resistência patronal e avançar na aprovação da PEC, será necessário ampliar a mobilização popular, fortalecer a pressão política e disputar a narrativa também nas redes sociais.
Nesse caminho, a audiência convocou todas as categorias para duas datas centrais da agenda de lutas: a Marcha da Classe Trabalhadora em Brasília, no dia 15 de abril, e os atos de 1º de Maio, Dia do Trabalhador.
A luta é por tempo de viver
A audiência pública na Alesp reforçou que o fim da escala 6x1 não é apenas uma reivindicação trabalhista. É uma luta por saúde, dignidade, igualdade e qualidade de vida.
Ao destacar que a redução da jornada é um direito humano e uma responsabilidade de toda a sociedade, Vera Marchioni ajudou a recolocar no centro do debate a questão fundamental: a vida de quem trabalha vale mais do que a lógica da exploração.
A batalha pelo fim da escala 6x1 é histórica — e segue cada vez mais viva nas ruas, nos sindicatos e na voz de quem se recusa a aceitar que trabalhar até o limite seja tratado como normal.

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